quarta-feira, 16 de junho de 2021

ISRAEL E A QUESTÃO PALESTINA - Uma Síntese! [guerra espiritual?]



POR LEONARDO MELO


INTRODUÇÃO.


Aqueles que acreditam em Deus como o Criador[criação ex nihilo], sustentador e mantenedor de todas as coisas através do poder da sua Palavra, assim como creem nas Sagradas Escrituras como a inerrante Palavra de Deus, certamente irá entender o porque do conflito Israel-Palestino[árabe]. Este conflito não iniciou no presente século, mas vem se desenrolando há mais de três mil anos a partir da promessa que Deus fez a Abraão sobre a terra de Canaã. Na realidade essa perseguição ao povo israelense é um desdobramento da promessa maior de restauração do homem caído feito por YHWH, segundo lemos em Gênesis 3.15, “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. E o  homem escolhido justamente com seu povo para dar cumprimento a promessa de redenção da humanidade feita anteriormente, Gn. 3.15, foi Abraão e a nação israelense, conforme o  livro do Gênesis e referências paralelas: Gn. 12.1-8; Nm. 33.53; Dt. 4.1, 12.1, 19.1, 26.9; ss. Eis o que motivou e motiva os perseguidores do povo judeu: A promessa feita pelo Eterno de dar uma terra exclusivamente ao povo judeu. E junto com a promessa da terra, estar também a promessa do envio do   Ungido[Messias] para libertar Israel e o homem caído. É a partir dessas verdades declaradas por Deus à Abraão e a sua descendência que suscitou a ira do nosso adversário-mor, Satanás, os anjos caídos e todos os homens que  se deixam levar pelo espírito satânico e maligno contra o povo judeu[antisionismo] e obviamente os cristãos. Na verdade, a história judaica é uma história repleta ao longo dos séculos de sua resistência, de luta[batalhas] por sua sobrevivência., pois, nosso adversário sabe das promessas do Eterno para Israel, e que tudo que estar estabelecido como alianças, profecias e promessas para a nação israelense serão cumpridas, cf. Js. 23.14b, “ [...] e vós bem sabeis, com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma, que nem uma só palavra falhou de todas as boas coisas que falou de vós o Senhor vosso Deus; todas vos sobrevieram, nenhuma delas falhou”, ainda, II Cr. 6.4; Is. 44.26; Ez. 12.25,28; 36.24, 39.8; At. 13.32; Gl. 3.18; Hb. 10.23; ss.


É a partir da conquista e estabelecimento do povo hebreu na terra de Canaã que os conflitos surgiram e permanecem até o presente século. Em uma concepção escatológica, esse conflito entre judeus e palestinos[uma miscigenação de povos:  árabes, sírios, egípcios, líbios, turcos, jordanianos, dentre outros] irá se estender até a volta de Jesus em glória com a sua Igreja para livrar a nação judaica do aniquilamento total por parte dos exércitos de variadas nações que irão marchar até Jerusalém afim de exterminar o povo judeu, e isto sob o comando do Anticristo. Todavia, Canaã é de propriedade legítima do povo israelense dada pessoalmente por Deus em uma  promessa feita primeiramente  a Abrão[Gn. 15,4-20] e depois confirmou junto aos seus descendentes, Isaque e Jacó. Por exemplo: Gn.. 12.1-8; Êx. 19.5; Nm. 15.2, 34. 2,18; Dt. 32.49; Js. 14.1, 21.43; ; Ez. 11.17, 20.42, 33. 2, 45.1, 47.21; Jr. 3.18, 16.15; ss. O que o mundo não entende é que a guerra  entre Israel e os palestinos[uma miscigenação de povos: árabes, sírios, egípcios, líbios, turcos, jordanianos, dentre outros] pela posse da terra, é uma guerra espiritual, travada nas regiões cósmicas do universo, entre o céu e a terra.


Em síntese, Satanás é conhecedor que há uma promessa para o povo de Israel habitar seguramente em suas terras e que será o próprio Deus[Jesus] que a governará, assim como também todas as nações estarão sobre o domínio de Jesus, de sorte que este conflito se arrastará até o final dos tempo! É razoável compreendermos que da linhagem de  Ismael e seus descendentes, espalhados pelas nações árabes e muçulmanas é que vem a motivação e o combustível necessário para  que este conflito  perdure e tenha continuidade, acabando-se só quando Jesus intervir junto com  a Igreja e salvar a nação judaica  do extermínio.


ISRAEL X PALESTINA.


Dependendo do víeis  ideológico-político que se analisar a causa Israel-palestina[árabe], uma parcela reconhecerá a nação israelense como detentora legítima da terra, porém, uma outra parte majoritária se posicionará em favor dos palestinos. Infelizmente há algumas características que são comuns a todos que se opõem contrários ao reconhecimento de Israel como detentor histórico da terra, verdadeiros antissionistas, eles possuem um víeis esquerdista. É só notar o posicionamento de alguns países de esquerda, e os ditos socialistas e democratas, como por exemplo Venezuela, Cuba, Argentina, Bolívia, França, Grécia, Espanha, China, Rússia, Coréia do Norte, Índia, e outros! Enfim, Israel tem  uma parcela considerável de adversários, além do que, o Brasil tem os partidos e políticos alinhados com a esquerda que são também contra a nação israelense e que apoiam “o povo palestino”,  afora todos os  países islâmicos, que veladamente ou não, detestam os descendentes de Jacó  e querem seu aniquilamento. Dentre as características dos antissionistas, temos:


Primeira característica, Há um grupo que defende os Palestinos como legítimos donos da terra. São os muçulmanos. Esse grupo tem orientação religiosa islâmica, creem em Alá e Maomé como seu profeta; mas, há também uma ala do Catolicismo romano que apoiam a causa palestina[em Roma, na sede da Igreja Católica, Vaticano há clérigos que apoiam a causa Palestina, assim como no Brasil, como o CNBB, e os clérigos que defendem a Teologia da Libertação] e há um grupo de Igrejas Protestantes de origem americana que defendem a Teologia da Substituição e consequentemente a terra como sendo de possessão palestina, e isso apoio se dá  de forma sutil; um dos destaques do Movimento da  Reforma Protestante, Martinho Lutero também era antissemita e  emitiu opiniões contrária ao povo judeu e a possessão da   terra por eles.


Segunda, No âmbito político, todos  os partidos de orientação de esquerda[marxistas-leninistas, comunistas, socialistas, democratas-socialistas, “democratas”, e várias nações pseuda-democratas] e seus governos,  são contra a posse da terra por Israel, e de forma afrontosa tem se engajado em um embate mundial para desacreditar a nação judaica expulsá-la da terra;  


Terceira, na área educacional. Aqui no Brasil, sobretudo no círculo universitário federla e estadual, há uma politização desmedida dos docentes, e estes abertamente expõe sua posição quanto a questão judaica-palestinense[árabe] em favor dos palestinos, e tentam de todas as maneiras persuadir os alunos a considerarem seus posicionamentos, recepcionando seus pensamentos, e esta semente antissionista se mostra mais relevante e atuante nos cursos superiores na área de humanas; por exemplo, na USP, há mais de uma década foi criada a semana da Palestina, além da Frente palestina da USP, composta por estudantes da Universidade; nos EUA,  atualmente não é diferente, há uma crescente onde antissionista no âmbito universitário, assim como nas universidades europeias;


Quarta, na economia, também há uma guerra descomunal contra Israel em favor dos   defensores dos palestinos. Já algum tempo desencadearam uma guerra econômica contra a nação israelense chamada BDS[Boicote, Desabastecimento e Sanções], que  é uma campanha global que preconiza a prática de boicote econômico, acadêmico, cultural e político ao Estado de Israel, com vários  objetivos, dentre os quais: Fim da ocupação e da colonização dos territórios palestinos, Respeito ao direito de retorno dos refugiados palestinos, entre outras reivindicações.

O que precisamos compreender a princípio é, que nunca houve uma nação palestina, com costumes palestinos, uma cultura  palestina, economia de mercado palestina, e muito menos um reconhecimento mundial dentre as nações que fazem parte da ONU, de uma nação literalmente composta de descendentes historicamente palestinos. Essa denominação de Palestina para  aquela Região da Judéia ou Canaã que o mundo recepcionou  e atualmente é motivo de conflito[guerra], vai nascer a princípio no primeiro século com  o Imperador romano Adriano, porém, o termo “Palestina” é muito mais antigo e não se referia aos palestinos atuais.


O que a maioria dos inimigos de Israel não querem entender é que “Palestina” nunca foi o nome de uma nação ou estado. É na verdade um termo geográfico utilizado para designar uma região abandonada ao descaso desde o século II d.C. O nome em si deriva do termo “Peléshet”, que aparece constantemente na Bíblia hebraica e foi traduzido como “Filístia” ou “Palestina”. Os Filisteus eram um povo do mediterrâneo com origens na Ásia Menor e na Grécia. Eles chegaram à costa Israelense em várias caravanas. Um grupo chegou no período pré-patriarcal, estabelecendo-se em Beer Sheva, entrando em conflito com Abraão, Isaque. Um outro grupo, vindo da ilha de Creta após uma frustrada tentativa de invasão do Egito [1194 a.C.], se estabeleceu na área costeira de Israel. Lá eles fundaram cinco assentamentos: Gaza, Ashkelon, Ashdod, Ekron e Gate. Posteriormente, durante o domínio dos Persas e Gregos, povos de outras ilhas do Mediterrâneo invadiram e destruíram os assentamentos filisteus. Desde os dias de Heródoto, os gregos chamam a costa leste do Mediterrâneo de “Síria Palestina”.


Os filisteus não eram árabes nem ao menos semitas e muito menos palestinos. Sua origem era grega. Eles não falavam árabe, nem nunca tiveram qualquer conexão étnica, lingüística ou histórica com a Arábia ou com os Árabes. O nome “Falastin” que os árabes usam atualmente para “Palestina”, nem sequer é uma palavra árabe mas sim hebraica – Peleshet (raiz Pelesh), que significa divisor, invasor. O uso do termo “Palestino” para se referir a um grupo étnico árabe é uma criação política moderna, sem qualquer credibilidade acadêmica histórica.

Milhares de anos antes dos romanos criarem o termo “Palestina”, a região era conhecida como Canaã. Os cananitas possuíam muitas cidades-estados, às vezes independentes às vezes vassalos de reis egípcios ou hititas. Os cananitas nunca se uniram para formar um estado. 

Após o Êxodo do Egito [provavelmente no sec. VII ou VIII e XIII a.C.], os filhos de Israel se estabeleceram na terra de Canaã. Ali formaram primeiramente uma confederação tribal e depois os reinos de Israel e Judá.

Desde os primórdios da história até os dias atuais, Israel (Judá ou Judéia) foi a única entidade independente e soberana que existiu ao oeste do rio Jordão (nos dias bíblicos, Amon, Moabe e Edom, bem como Israel, possuíram territórios ao leste do Jordão, mas estes desapareceram na antiguidade e nenhuma outra nação reivindicou a região, até os britânicos criarem o termo “Trans-Jordânia”, nos anos 20).

Após a conquista romana da Judéia, a “Palestina” se tornou uma província do império romano e posteriormente do império cristão Bizantino (brevemente também foi conquistada pelo império zoroástrico persa). Em 638 d.C, um califa árabe muçulmano tomou a Palestina das mãos dos bizantinos e a anexou ao império árabe-muçulmano. Os árabes, que não tinham nem sequer um nome em árabe para a região, adotaram o nome dado pelos romanos, pronunciando-o como “Falastina”, ou invés de “Palestina” (na língua árabe não há o som de “p”).


Durante este período árabe, grande parte da população da região (composta por uma mistura de povos e tribos nômades de várias regiões ao redor) foi forçada a converter-se ao islamismo. Eles eram governados por um califa que reinava de sua capital (primeiramente em Damasco e depois em Bagdá). A região da Palestina nunca se tornou uma nação ou um estado independente, nem desenvolveu ou criou uma cultura ou sociedade distinta essencialmente de raiz palestina. Em 1099, cruzados cristãos da Europa conquistaram a “Palestina – Filistina”. Após 1099, nunca a região esteve novamente sob domínio árabe. O reino estabelecido posteriormente pelos cruzados europeus era politicamente independente, mas nunca desenvolveu uma identidade nacional, servindo apenas como um posto militar da Europa Cristã por menos de 100 anos. Após este período, a Palestina foi anexada à Síria como uma província mameluca (etnicamente um povo fruto de uma mistura entre guerreiros e escravos cujo centro político encontrava-se no Egito), e posteriormente anexada ao Império Turco-Otomano, cuja capital encontrava-se em Istambul.

 

Os romanos tomaram a  Judéia [Palestina] em 63, quando Pompeu a invadiu á frente do exército romano. Ás vezes eles governavam a terra por meio de reis títeres na região, como Herodes, cognominado de, o Grande [37—34 a.C.]; em outras, governavam  por meio de procuradores romanos, como Pôncio Pilatos [26-36 d.C.], ou por meio do controle direto dos romanos [135-330 d.C.]. a resistência ao governo romano levou á revolta dos judeus  de 66, que terminou em 70, quando Jerusalém foi tomada  e o templo destruído. Alguns judeus continuaram a resistir em Massada, perto do Mar Morto, mas os romanos tomaram a fortaleza em 73. Embora de acordo com os padrões da época o governo romano não fosse excessivamente opressivo, a resistência continuou. Outra revolta dos judeus em 132, foi liderada por Bar-Cochba, que reuniu um exército de 200.000 homens e começou a expulsar os romanos de Jerusalém.


Quando o exército romano recuperou Jerusalém em 135, os judeus foram  mortos. Então, o imperador Adriano transformou Jerusalém  em uma colônia romana e chamou-a de Élia Capitólina. Construiu um templo pagão em honra a Júpiter no lugar do templo e proibiu os judeus de entrarem em Jerusalém sob pena de serem mortos, ele também adotou o nome “Síria-Palestina” Para se referir á região, em parte para eliminar qualquer ligação judaica com aquela terra, mas também em reconhecimento do nome grego  anterior da área. Embora essas ações repressivas tenham matado todas as esperanças de independência nacional dos judeus, as comunidades, todavia continuaram a viver em diferentes pontos na agora, Síria-Palestina, por exemplo nas planícies  costeiras e na região da Galiléia.


Durante o Mandato Britânico em Israel (1920-1948), os ingleses se referiam a população judaica de Israel como “Palestinos” (termo na verdade criado pelos Romanos no início da era cristã com o intuito de humilhar os judeus – uma vez que “Palestina” significa “local dos Filisteus”, antigos inimigos dos judeus que foram extintos pelos Persas no sec. X a.C). Em 1939, os ingleses decidem proibir toda imigração Judaica para a “Palestina”, algo que era constante desde o século XVIII na região. Esta proibição foi feita no momento em que os Judeus mais precisariam, uma vez que o Nazismo estava fortemente se estabelecendo na Europa e milhões de judeus estavam sendo perseguidos. Milhares que conseguiam escapar dos campos de concentração e tentaram ir para Israel, foram mandados de volta para o inferno, novamente para as câmaras de gás na Europa.

Mas ao mesmo tempo em que os britânicos proíbem a imigração judaica, eles permitem ou ignoram a imigração ilegal de milhares de árabes da Jordânia (chamada de Palestina Oriental), Síria, Egito e de várias partes do norte da África. Em 1939, Winston Churchill declara que “[…] longe de serem perseguidos, os árabes invadiram a região e se multiplicaram [ … ]!” Estatísticas exatas da população da região na época são problemáticas, mas sabe-se que em 1947 o número de árabes ao oeste do Jordão triplicou em comparação a 1900.


O mito atual é que estes árabes há muitos séculos já estavam estabelecidos na Palestina, até que vieram os judeus e os “desalojaram” em 1948. Mas na verdade a imigração recente de árabes para a Palestina foi que “desalojou” os judeus. O aumento massivo da população árabe na região é comprovada pela lei criada pela ONU em 47: “Qualquer árabe que tenha habitado na Palestina por pelo menos dois anos, mas que deixou a região em 1948, é considerado um “refugiado palestino”. Esta é a origem dos famosos “refugiados palestinos”.

As estatísticas sobre a população judaica e árabe na região raramente levam em consideração como surgiram tais proporções. Um dos fatores foi a política inglesa de manter os judeus fora ao mesmo tempo em que traziam os árabes. Outro fator foi a violência utilizada para matar ou expulsar até mesmo judeus que já estavam há muito tempo estabelecidos na região. Por exemplo: A conexão judaica com a cidade de Hebron data dos dias de Abraão, e na verdade, sempre existiu lá uma comunidade judaica desde os dias de Josué, antes mesmo do Rei Davi torná-la capital. Mas em 1929, uma revolta armada de árabes (com o consenso britânico), matou e expulsou quase toda a comunidade judaica de Hebron.

Outro exemplo: Em 1948, a Transjordânia passou a ocupar quase todo o território da Judéia e Samaria (os quais eles chamavam de Cisjordânia) bem como a parte Oriental de Jerusalém e a cidade antiga. O que foi feito com os milhares de judeus que já habitavam na região? Foram assassinados ou expulsos.


Durante o Mandato Britânico em Israel (1920-1948), os ingleses se referiam a população judaica de Israel como “Palestinos” (termo na verdade criado pelos Romanos no início da era cristã com o intuito de humilhar os judeus – uma vez que “Palestina” significa “local dos Filisteus”, antigos inimigos dos judeus que foram extintos pelos Persas no sec. X a.C). Em 1939, os ingleses decidem proibir toda imigração Judaica para a “Palestina”, algo que era constante desde o século XVIII na região. Esta proibição foi feita no momento em que os Judeus mais precisariam, uma vez que o Nazismo estava fortemente se estabelecendo na Europa e milhões de judeus estavam sendo perseguidos. Milhares que conseguiam escapar dos campos de concentração e tentaram ir para Israel, foram mandados de volta para o inferno, novamente para as câmaras de gás na Europa.

Mas ao mesmo tempo em que os britânicos proíbem a imigração judaica, eles permitem ou ignoram a imigração ilegal de milhares de árabes da Jordânia (chamada de Palestina Oriental), Síria, Egito e de várias partes do norte da África. Em 1939, Winston Churchill declara que “[ … ]longe de serem perseguidos, os árabes invadiram a região e se multiplicaram[ … ]!” Estatísticas exatas da população da região na época são problemáticas, mas sabe-se que em 1947 o número de árabes ao oeste do Jordão triplicou em comparação a 1900.

 

Contudo, o mundo e as nações árabes-muçulmanas e os antissionistas e todos que se opõem  contra o povo judeu procuram desconhecer ou ignoram, que há uma promessa do Eterno para o seu povo. As promessas de Deus são irrevogáveis. Israel é invencível. Várias profecias que se cumpriram e irão se cumprir acerca de Israel e a sua terra, atestam a fidedignidade de Deus com sua Palavra e com sua aliança feita primeiramente a Abraão e com seus descendentes: Gn. 12. 1-8, Gn. 15, 17.1-10, 26.3-5, 28.1-4, 12-15, além do que , o Eterno iria permitir uma série de tribulações, guerra e lutas e espalharia seu povo entre as nações da terra, todavia, no tempo de Deus, Ele os traria de volta para sempre, afim de cumprir as demais promessas que ainda se cumprirão acerca de Israel: Lv. 26.33; Dt. 4.27, 28.25, 30.3;  Jr. 30.11;   Ez. 6.8, 12.15, 22.15, 36.19, 24, 28; 37. 21-22, 25-28; Jl.3.2; Zc. 7.14;


CONCLUSÃO.


A Palavra de Deus é Fiel e verdadeira.  Os oráculos proféticos do   Senhor dos Exércitos é digno de total confiança, podemos nos deleitar e descansar nas suas promessas. Por Deus ser o verdadeiro Deus é que Ele tem total poder para cumprir seus desígnios e propósitos. Portanto, a promessa que o Eterno fez a Abraão, Isaque e Jacó acerca da terra que iriam possuir se  mantém  firme, Deus cumprirá em cada detalhe tudo o que Ele prometeu ao seu povo. As alianças  que Deus faz são irrevogáveis. Como disse o profeta Malaquias: “Eu o Senhor não mudo, [ ... ]”, Ml. 3.6, assim testificou também  o apóstolos Tiago, 1.17, “[ ... ] descendo do Pai das luzes, em quem não há sombra nem variação”, além de Nm. 23.19; Js. 23.14; Is. 14. 24-27;  Mt. 24.36, Hb. 10.23, ss.


Queremos afirmar que todas  as promessas que Deus fez ao seu povo Israel está de pé. Deus cumprirá tudo integralmente. Não há povo palestino. Não há uma terra pertencente a este povo; os palestinos são uma amálgama de vários povos. Nunca existiu uma nação palestina. Quando chegar o tempo de Deus na vida do povo judeu, as nações irão compreender e entender  que verdadeiramente a terra onde está plantada a nação israelense pertence verdadeiramente a eles em possessão perpetua declarada pela boca do Deus vivo, criador dos céus e da terra. Vivemos uma guerra declaradamente espiritual. Se fosse uma guerra de origem humana, a nação de Israel já teria sido varrida do mapa, aniquilada.  As guerras contemporâneas envolvendo árabes israelense foram motivadas por um movimento denominado Sionismo, defendido pelo jornalista Theodor Herzl, em 1896, este lançou um livro em que defendia a criação de um Estado judeu.  A partir de então, houve um alvoroço no arraial árabe [países árabes] para que tal pretensão não ocorresse.


Se o conflito árabe-israelense fosse humano, certamente que a nação judaica já estaria eliminada, porém, para quem conhece a história judaica sabe que este conflito é entre nosso inimigo e o Deus vivo. Zacarias afirmou que Jerusalém seria um cálice de tontear a terra, Zc. 12.2: “Eis que eu farei de Jerusalém um copo de tremor para todos os povos em redor, e também para Judá, durante o cerco contra Jerusalém”. Eis  Uma palavra profética da parte de Deus através de Zacarias que está em pleno cumprimento profético atualmente.

Por fim, nos lembrarmos do primeiro  conflito[guerra] que houve com  algumas nações árabes que se uniram [Egito, Síria, Transjordânia[atualmente Jordânia], Líbano, e Iraque], e forças palestinas,   contra Israel, logo em seguida da proclamação do reconhecimento pela ONU de Israel como nação, em 14 de maio de 1948, e foi até janeiro de 1949, quando as nações árabes assinaram um armistício com Israel, que saiu como inquestionável e grande vencedor dessa guerra. Como pode, cinco nações mais um apoio militar de forças palestinas, não vencerem um minúsculo país? Isso é coisa de Deus! Um milagre. Por isso nós afirmamos com grande convicção, essa guerra árabe-israelense é espiritual e seu desfecho dar-se-á no fim dos tempos, com vitória inquestionável de Israel. enfim, nunca houve e não haverá um povo e uma nação Palestina. Não nas terras da nação israelense. Amém.

 

FONTE


1. McCALL, Thomas S. Th.D. [ pre-trib research center -http://www.beth-shalom.com.br]/ Revista Notícias de Israel-Março2011.


2. HUNT, Dave. O Dia do Juízo! O Islã, Israel e as nações.  Trad. Lucila M. P. da Silva. R. G. do Sul. 2007. Editora Actual.

Introdução do livro Miracles and the modern mind: a defense of biblical miracles escrito por Norman L. Geisler


As atitudes contemporâneas em relação aos milagres abrangem dois extremos. Por um lado, os céticos seculares rejeitam completamente os milagres. A comunidade científica, por exemplo, foi dominada durante dois séculos por um anti-sobrenaturalismo incorrigível. Muitos insistem que a crença no sobrenatural é parte de uma visão de mundo antiquada que foi refutada pela pesquisa científica. Milagres bíblicos são classificados junto com a crença antiga agora desacreditada de que tornados, furacões, eclipses e terremotos eram milagrosos porque não podiam ser explicados cientificamente.

Típico da atitude científica em relação ao sobrenatural é a decisão do juiz William Overton no famoso julgamento de Scopes II em Little Rock, Arkansas: “Na verdade, a criação do mundo 'do nada' é a declaração religiosa definitiva porque Deus é o único agente (…) Tal conceito não é ciência porque depende de intervenção sobrenatural não guiada pela lei natural. Esse relato não é explicativo por não ter referência à lei natural, não ser testável e não ser falsificável.”[1] Um artigo recente do Smithsonian caracteriza a aversão científica pela visão sobrenatural das origens: “o axioma central de nosso épico é que o universo deve ter sido formado por leis naturais que ainda podem ser descobertas hoje.”[2]

O autor da Declaração de Independência, Thomas Jefferson, reflete a disposição anti-sobrenatural da mente moderna quando declara sobre o nascimento virginal que “Chegará o dia em que o relato do nascimento de Cristo, conforme aceito nas igrejas Trinitárias, será classificado como a fábula de Minerva surgindo do cérebro de Júpiter.”[3]

Alguns anti-sobrenaturalistas contemporâneos compartilham a visão de Sigmund Freud de que a crença no sobrenatural é uma forma de escapismo ou ilusão. A religião é descartada como uma neurose infantil que as pessoas usam para se proteger das horríveis realidades da vida. Ludwig Feuerbach afirma que a crença nos fluídos sobrenaturais precisava da energia humana deste mundo. Seu objetivo é “transformar os amigos de Deus em amigos do homem, crentes em pensadores, adoradores em trabalhadores, candidatos para o outro mundo em estudantes deste mundo, Cristãos, que em sua própria confissão são metade animais e metade anjos, em homens - homens completos.”[4]

No extremo oposto, há um renascimento atual do "sobrenaturalismo" oculto em curas da nova era, revelações, caminhadas pelo fogo e poderes do cristal. Muitos gurus, canalizadores, médiuns, xamãs e bruxas reivindicam o poder sobrenatural da Força. O famoso guru hindu Sai Baba se orgulha: “Meu poder é divino e não tem limites. Eu tenho o poder de transformar a terra em céu e o céu em terra ... Estou além de quaisquer obstáculos e não há nenhuma força, natural ou sobrenatural, que possa me impedir ou parar minha missão.”[5]

Um número crescente de evangélicos acredita que curas milagrosas e até ressurreições como as da Bíblia ainda ocorrem hoje [nota do tradutor: Geisler não crê que os milagres operados por Jesus no NT ocorram hoje]. Eles fazem afirmações como “Hoje vemos centenas de pessoas curadas todos os meses nos cultos da Sociedade Cristã de Vineyard. Muitos mais são curados quando oramos por eles em hospitais, nas ruas e em casas. O cego vê; o coxo anda; os surdos ouvem. O câncer está desaparecendo.”[6]

Qualquer que seja o resultado da disputa interna entre os Cristãos sobre o status dos milagres hoje,[7] toda a questão do sobrenatural tem um sério impacto sobre os Cristãos bíblicos de todas as matizes. Pois o cristianismo evangélico histórico está totalmente baseado nas Escrituras, que estão repletas de eventos milagrosos. Na verdade, a própria Bíblia não pode ser uma revelação sobrenatural, como afirma ser, a menos que haja atos sobrenaturais. Nem podemos confiar nos Evangelhos para fornecer informações confiáveis sobre Cristo, a figura central da fé Cristã, uma vez que estão repletos de eventos milagrosos repugnantes para a mente moderna.

Na verdade, uma vez que a credibilidade do Cristianismo repousa na ressurreição de Cristo (1 Coríntios. 15: 12-19), toda a fé Cristã ortodoxa desmorona se milagres não ocorrerem. Para que o Cristianismo bíblico histórico sobreviva e faça sentido para a mente moderna, é necessário fornecer uma explicação razoável do sobrenatural. Aparte da credibilidade do relato bíblico dos milagres, podemos nos despedir do Cristianismo ortodoxo. Esse é o desafio diante de nós.


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Fonte:


GEISLER, Norman L. Miracles and the modern mind: a defense of biblical miracles. NC: Baker Book House Company, 1992


Tradução Walson Sales


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Referências:

[1] Leia em Norman L. Geisler, The Creator in the Courtroom (Grand Rapids: Baker, 1982), pp. 174, 176. 

[2] James S. Trefil, “Closing in on Creation,” Smithsonian 14/2 (May 1983): 33. 

[3] Henry Wilder Foote, Thomas Jefferson (Boston: Beacon, 1947), p. 49. 

[4] Citado por Karl Barth, “An Introductory Essay” to Ludwig Feuerbach, The Essence of Christianity (New York: Harper and Row, 1957), p. xi. 

[5] Tal Brooke, The Lord of the Air (Eugene, Oreg.: Harvest House, 1990), p. 214. 

[6] John Wimber, Power Evangelism (New York: Harper and Row, 1986), p. 44. 

[7] Abordamos este assunto em outra obra. Leia Norman L. Geisler, Signs and Wonders (Wheaton: Tyndale, 1988).

A RELAÇÃO ENTRE OS CANANEUS E ISRAEL - [PARTE 3]

 

Por Dyego Andrade

 

7) Os princípios da nação eleita

 

Os princípiosque Deus determinou para Israel viver eram fatores condicionais para que as bênçãos propostas por Deus fossem de fato ministradas. A eleição de Deus para seu povo obedeceu a pré-requisitos ou princípios que não podiam deixar de serem evidenciados no povo de Deus, Israel como nação escolhida para tal, tinha a obrigação de fazê-lo.

 

7.1) A primogenitura dentre as nações

 

Retornando ao capítulo 4 de Êxodo no versículo 22, Deus diz a Moisés uma palavra de profundo significado em relação a Israel. Jeová a chama de “meuprimogênito”, essa descrição direcionou a nação escolhida para viver uma realidade de destaque em relação ás outras nações, eisso seria perpetuamente. De acordo com os princípios da primogenitura na família antiga, Deus trataria Israel como se fosse a nação primogênita dentre todas da humanidade. Para James E.Rosscup (2008, p. 1051), o primogênito tem características peculiares:

 

Normalmente a palavra significa o filho mais velho (Êx 6.14, 11:5). Ele gozava de privilégios sobre seus irmãos, como receber a bênção do pai (Gn 27.1-4; 35-37), tratamento preferencial pelo pai (43.33), respeito como líder entre os irmãos (37.22) e uma porção dobrada da herança, duas vezes o que um outro filho recebia (Dt 21.17). O primogênito poderia trocar seus direitos, como Esaú (Gn 25.29-34), ou perdê-los por má-conduta, como Rúbenpor incesto (35.22; 49.3,4; lCr 5.1). ... Algumas vezes o significado é figurado, denotando prioridade ou supremacia. Israel é o “primogênito” de Deus (Êx 4.22; Jr 31.9). Como o filho primogênito tem prioridade especial, Israel é privilegiado em relação a outras nações.

 

            A descrição cirúrgica feita acima descreve quão incisiva foi a declaração de Deus em relação a Israel. Apesar de não ser a nação mais velha, Israel recebeu do Senhor asbênçãos relacionadas à primogenitura, dando a essa nação uma posição espiritual acima das outras nações no que tange a revelação especial de Yahweh. Sendo assim, Israel seria a nação conhecida por trazer consigo a herança do Deus de Abraão, Isaque e Jacó; todas as demais nações seriam obrigadas a aprender com Israel sobreservir a Deus. Yahweh através de Israel se revelou para os demais povos, sendo então um paradigma de vida em sociedade. Os Salmos 98,99 e 100 falam sobre as grandezas do Senhor sendo revelada aos povos da terra através nação primogênita.

            A relação entre Yahweh e Israel ainda que fizesse Israel ser diferente das demais nações em razão da primogenitura, foitambém pontual quanto as condições exigidas pela mesma. Deus deixou claro que Israel tinha que cumprir ordens dadas por Ele para que tudo ocorresse perfeitamente. Isso foi visto no pacto do Sinai.

 

7.2) Os princípios da aliança do Sinai

 

            Deus disse para Moisés: “ agora, pois, se diligentementeouvirdes a minha voz e guardardes o meu concerto, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha. E vós me sereis reino sacerdotal e povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel” (Ex 19.5-6).

            Yahweh ao se revelar a Moisés no Monte Sinai, foi enfático ao iniciar sua fala.Aobediência dos preceitos e ouvir a voz do Senhor foram colocados de forma imprescindível para que Israel estivesse continuamente com sua conduta alinhada ao concerto ou aliança do Senhor. Isso significa dizer que a nação escolhida não poderia se gabar da eleição para pecar. A palavra “se” realça a condicionalidade das ações de Israel, a diligência ora dita revela a disciplina de Israel em ouvir a voz do Senhor, de forma que não poderia haver nenhuma outra voz que guiasse o povo. Ao guardar a aliança ali firmada aconteceria algo sublime naquela nação.

            No texto em apreço é fundamental evidenciar termos proferidos pelo Senhor Deus que descrevem a diferença de Israel às demais nações, sendo tais palavras: propriedade peculiar, reino sacerdotal e povo santo. Essas expressões são categóricas no que tange a aliança entre Yahweh e Israel, pois cada uma delas manifestam a singularidade de Israel no plano divino. Essas declarações por parte do Senhor não foram ditas a nenhuma outra nação, somente à nação eleita. Nesse viés Victor Hamilton (2017, p. 212) diz:

 

Podemos chamar a primeira dessas frases de uma palavra sobreprivilégio; a segunda, uma palavra sobre responsabilidade (o que não deixa de ser um privilégio); a terceira, uma palavra sobre caráter. A expressão “propriedade peculiar”, ou “tesouro pessoal”(NVI), reflete o termo hebraico següllâ (novamente utilizado para descrever a condição privilegiada de Israel em Deuteronômio 7.6; 14.2; 26.18; Salmos 135.4; Malaquias 3.17). Em 1 Crônicas 29.3 e Eclesiastes 2.8, essa palavra refere-se à riqueza real e distingue aqueles tesouros especiais conseguidos pelos reis. A Vulgata corretamentetraduz o termo por peculium:aquilo que é separado e possui especial valor (que originou a tradução da ARC, “propriedade peculiar”, com ‘‘peculiar”significando “próprio, especial”). A segunda frase lembra ao povo de Deus que eles são chamados para servir, a ser uma comunidade de servos, que leva a bacia e a toalha. Quanto à terceira expressão, “povo santo” (“nação santa”, NVI), é a primeira vez na bíblia em que a palavra “santo”aparece ligada a pessoas. Anteriormente, fora usada apenas em relação a momentos (Gn 2.3) ou lugares (Ex 3.5) específicos. Aexpressão aparece regularmente em Deuteronômio, mas relacionada a “pessoas” em vez de “nações” (7.5; 14.2,21; 26.19; 28.9).

 

 

            Ainda para Alan Cole (1981, p.139-140) tais descrições devem ser exploradas por sua riqueza para Israel:

           

Sereis a minha propriedade particular. A palavra significa um “ tesouro particular”, algo que pertence particularmente a um rei (por exemplo, 1 Crônicas 29:3). O termo indica tanto valor especial quanto relacionamento especial. Deuteronômio 7:6 acrescenta a palavra “ povo”, tornando o sentido ainda mais claro. A palavra também implica em escolha e seleção, em vista da segunda metade do versículo (“ toda a terra é minha”), que equivale a uma declaração de monoteísmo (cf Gn14:22).

Reino de sacerdotes. Esta é a única ocorrência da expressão noVelho Testamento (Hyatt), embora Isaías 61:6 seja semelhante. Tal expressão certamente implica na existência de um rei, e este rei só poderiaser YHWH. (Possíveis referências ao reinado de YHWH no períodomosaico se encontram em Nm 23:21 e Dt 33:5.) Ao tempo dos Juízes era axiomático que, sendo YHWH a autoridade sobre Seu povo, nenhum mortal poderia reivindicar o título de “ rei” (Jz 8:22). A ênfase da passagem, entretanto, não recai nisso; uma vez que a monarquia era a única forma de governo conhecida no mundo antigo, “reino” poderia ser traduzido hoje como “ nação” ou “ Estado”. A atenção é atraída para a condição sacerdotal atribuída a Israel. Isto se torna ainda mais compreensível em vista do fato que até aqui ainda não existia qualquer casta sacerdotal em Israel propriamente dito. Presumivelmente, o conceito básico é o de um grupo especialmente separado para possessão e serviço de Deus, com livre acesso à Sua presença. A idéia de Israel agir como representante divino no mundo e em favor do mundo não pode ser excluída. Quer cumprida ou não na época, esta deveria ser a missão de Israel (cf. promessa final feita a Abraão em Gn 12:3). A escolha divina “ especial” de Israel tinha um propósito “ universalista” bem mais amplo.

Nação santa significa primariamente uma nação “ separada” das outras nações para pertencer a Deus. Normalmente, em dias futuros, a palavra gôy, “ nação”, viria a significar uma nação não-judaica (gentia), como no hebraico moderno uma outra palavra é usada para descrever Israel, o povo escolhido de Deus. Até então, todos os povos tinham o mesmo status: o “ povo escolhido” só viria a ser uma entidade depois do Sinai. A princípio, “ santa” sem dúvida significava apenas “dedicada” a Deus, sem qualquer conotação moral particular. Tal“ santidade” era contagiosa (19:12) e poderia ser perigosa, se não fatal. Assim, por causa da natureza revelada de YHWH, tal “ santidade”, por ser descritiva de Deus, assumiu um significado fortemente moral. Por fim, a santidade divinapassou a ser uma exigência moral constrangedora sobre o Seu povo (ver Lv 20:7). Esta santidade do povo de Deus, bem como o sacerdócio do povo escolhido, é mais uma vez enfatizada nos termos da nova aliança (1 Pe 2:9).

 

            O que foi dito pelo Senhor e comentado acima deixa claroque tinha que se portar de modo diferenciado em relação às demais nações, a Deus e a si mesmo. Tal realidade está de acordo com a missão que Deus entregou a eles enquanto povo. Assim Israel tinha que se preocupar consigo por ter sua peculiaridade identificada como um tesouro, ou seja, valor altíssimo, não sendo mais escravo do Egito, mas um povo especial reconhecido pelas nações. Em relação a Deus deveria ser dada atenção tanto a realidade do sacerdócio quanto da santidade. Esses dois fatores que integravam a vida da respectiva nação eram fundamentais na adoração ao Senhor, o sacerdócio de Israel buscava o relacionamento entre Deus e as nações, sendo Israel uma nação mediadora; já a santidade apontava para o caráter do próprio Deus.

            Uma atenção maior será dada a Israel em relação as nações, uma vez que essas descrições ditas por Deus em relação a nação escolhida, têm consequências consideráveis para todos povos da terra, e também pelo motivo que os mesmos precisavam do seu Criador e deviam segui-lo, vivendo conforme sua vontade. Para tanto era necessário que a nação modelo da parte de Deus tivesse função missionária, a saber, falar da grandeza de Yahweh e conclamar a todos os povos da terra a viverem para o Possuidor dos céus e da terra. O exemplo a ser dado por Israel foi no âmbito espiritual e social. As nações iriam ver a representação de Deus no dia a dia, nas relações interpessoais entre os israelitas e no trato com os demais povos, a via espiritual de exemplo foi vista na liturgia de culto e nas práticas religiosas. O que Deus havia começado em Abraão foi feito através de Israel: abençoar as nações da terra.

            Já fora dito que nenhuma nação até então havia sido tratada como sacerdotes de Deus e nação santa, tal experiência ocorreu para que os povos, tribos e nações pudessem conhecer, ter intimidade, viver experiências sobrenaturais Yahweh; enfim, entender que mesmo em meio a tantas religiões, ao politeísmo já existente, somente Yahweh é o Deus verdadeiro e que nenhum outro deus crido ou sistema religioso pode ser comparadoao que Deus manifestaria através de Israel. Para Christopher J. H. Wright (2012, p. 51) a relação entre Deus através de Israel e as demais nações seria dessa maneira:

 

No Sinai, Deus entrou numa aliança com o povo de Israel (e com o restantedas nações em vista), chamando-o para ser seu representante (sacerdotalmente) e para ser separado (santo). Ele lhe deu sua lei como um dom da graça – não para que eles pudessem merecer sua salvação, uma vez que já haviam sido redimidos, mas para moldá-los como um povo-modelo, a fim de que fossem uma luz para as nações.

 

            Tal comentário transmite a ideia que Deus fez aliança com Israel e com as nações. Isso o texto bíblico não evidencia, todavia, Deus através de Israel tinha o objetivo de alcançar povos, tribos e nações. A aliança do Sinai indica que Deus usaria essa nação para que os demais povos o conhecesse, jamais poderia existir a ideia que Deus era somente para Israel, muito pelo contrário, Ele é Deus independente de nação, Israel era responsável pela revelação dEle, sendo luz que iluminaria a humanidade mostrando o caminho a ser percorrido, a tríade: Yahweh, Israel e humanidade é uma realidade bem enfatizada nessa aliança. O sacerdócio e ser nação na forma como Yahweh falou serviria como testemunho do Deus Eternopara os demais. Dito isso é de bom alvitre explorar essas qualificações.

 

7.2.1) Israel, a nação sacerdotal

           

            O sacerdócio já era bem conhecido naqueles dias, isso se dava em função de que as religiões daquela época tinham no seu sistema litúrgico a presença do sacerdote (Gn 14.18; Gn 41.45; Ex2.16). Tanto em Midiã, quanto em Canaã e no Egito havia a figura do sacerdote em seus sistemas religiosos. Deus tinha o objetivo de atrair as nações para si, e para tanto, iria criar uma religião que fosse compreensível do ponto de vista sociológico e que tivesse somente no campo humano semelhanças as religiões que os demais povos tinham. No campo humano, pois espiritualmente haveriam diferençasgritantes. Então Israel sendo o sacerdote de Deus na terra, mostraria a religião de Yahweh, distinta quanto a espiritualidade das demais, e, com uma fácil percepção na ótica humana.

            O sacerdócio na visão de Deus para Israel, consistia em ensinar a lei de Deus ao povo e oferecer o sacrifício do povo a Deus. Na ótica de Christopher J. H. Wright (2012, p. 144) o ofício sacerdotal é visto desta maneira:

 

O trabalho dos sacerdotes, portanto, era trazer Deus para o povo e o povo para Deus. Então agora, com um rico significado, Deus diz a Israel como um só povo: Vocês serão para mim e para todo o restante das nações, aquilo que os sacerdotes são para vocês. Por intermédio de vocês, tornar-me-ei conhecido nomundo, e por meio de vocês, eu finalmente trarei o mundo a mim.

Isso é o que significava para Israel ser sacerdócio de Deus em meio às nações. Como o povo de YHWH, eles teriam a tarefa histórica de trazer o conhecimento de Deus às nações, e de trazer as nações para os meios de expiação para com Deus.

 

 Como está escrito acima, Israel seria o elo entre Deus e a humanidade, basicamente seriam o ponto de encontro entre ambos. Na religião de Israel haveria homens separados para exercer o sacerdócio naquela respectiva nação, o que ilustraria para o povo escolhido a maneira que eles deviam se portar perante os outros povos. É relevante salientar a maneira como seria exercido o sacerdócio, visto que já havia um modelo existente que estava sendo revelado para Israel. ParaChristopher J. H. Wright (2012, p. 145):

 

O sacerdócio do povo de Deus, portanto, é uma função missional, em continuidade com a eleição deles em Abraão, causando impacto nas nações. Assim como os sacerdotes de Israel foram chamados e escolhidos para ser servos de Deus e de seu povo, Israel também, como um todo, é chamado e escolhido para ser servo de Deus e de todos os povos. Êxodo 19.4-6, em relação aos propósitos de Deus para a salvação do mundo, leva adiante a intenção de Gênesis 12.1-3.

 

            Observa-se nessa explanação que Israel havia recebido de Deus uma obra missionáriae que o modelo a ser seguido era o de Abraão, pregar as verdades do Senhor para aqueles que pereciam sem conhecer a Yahweh. O que outrora Abraão iniciou teria continuação em Israel. Nessa realidade pode ser dito que os feitos de uma nação têm possibilidade de gerar um impacto maior que de uma pessoa, e consequentemente o alcance da pregação seria mais amplo. Há de se dizer que Israel tinha testemunhos miraculosos da ação de Deus até aquele momento, realidade que Abraão não viveu da mesma maneira, enfim, Israel apesar de ter que continuar aquilo que Abraão tinha começado, sem dúvida o faria de forma mais incisiva. Somado a isso seria entregue a Lei, revelação essa que Abraão nos seus dias não teve com a mesma precisão, e através da Lei, Israel ensinaria as verdades de Deus para a humanidade.

            Para Israel exercer sua função missiológica teve que conhecer o Senhor, ter proximidade com ele, manter contato constante. A nação deveria andar completamente nas veredas de Yahweh, e tal prática não é uma tarefa fácil, para isso o atributo da santidade seria imprescindível para Israel como nação.

 

7.2.2) Israel, a nação santa

            A prática da santidade a Israel era uma realidadebasilar para servir a Deus. A nação escolhida deveria ser diferente das demais no que diz respeito a sua conduta em relação aos povos, e no que diz respeito a se dedicar ao Senhor (Lv 20.24b). Essa diferença pode ser vista no governo direto de Deus sobre o seu povo, de forma que cada detalhe em Israel deveria ter a finalidade somente de revelar a santidade de Yahweh aos povos (Lv 20.26).

            No Antigo Testamento a santidade para Israel assumia várias funções, mas uma que deveria ser dada a atenção é a pureza moral. A santidade de Deus vista neles os levaria a ter um nível de conduta nunca antes visto em outra nação. A fonte dessa moralidade seria a lei que fora entregue a Moisés no Sinai.Yahweh foi enfático em descrever como seria a conduta de seu primogênito. Os preceitos éticos na lei eram bem mais evidenciados que os preceitos rituais. Essa evidência diz respeito a manifestação clara de Yahweh. Para Christopher J. H. Wright (2012, p. 149-150), santidade enquanto valor moral foi nítida em Israel:  

 

A intensa exigência ética por santidade no Israel do Antigo Testamento significavaviver com integridade, justiça e compaixão em todos os aspectos – inclusive a vida pessoal, familiar, social, econômica e nacional. O texto mais abrangente que enuncia essa dimensão ética da santidade em Israel é Levítico 19.

Levítico 19 é o melhor comentário que temos de Êxodo 19.6: Sereis santos,porque eu [...] sou santo (Lv 19.2). O versículo inicial expressa a exigência fundamentalde Deus. Ele poderia ser traduzido de forma mais coloquial: “Vocêsdevem ser um povo diferente, porque YHWH é um Deus diferente”. YHWH éabsolutamente único e distinto como Deus. YHWH não é simplesmente um dosdeuses das nações, e nem mesmo é como eles.... A maior parte de Levítico 19 nos mostra o tipo desantidade que reflete a santidade de Deus: completamente prática, social e muito realista. Uma simples listagem de seu conteúdo destaca esta nota predominante:              

A santidade, em Levítico 19, envolve:

• Respeito dentro da família e da comunidade (vv. 3a, 32).

• Lealdade exclusiva a YHWH como Deus; tratar os sacrifícios de modo adequado (vv. 4-8).

• Generosidade econômica na agricultura (vv. 9, 10).

• Observância dos mandamentos concernentes aos relacionamentos sociais (vv. 11, 12).

• Justiça econômica nos direitos trabalhistas (v. 13).

• Compaixão social para com os deficientes (v. 14).

• Integridade judicial no sistema legal (vv. 12, 15).

• Atitudes e comportamentos amáveis; amar o próximo como a si mesmo (vv. 16-18).

• Preservação dos testemunhos simbólicos de distinção religiosa (v. 19).

• Integridade sexual (vv. 20-22, 29).

• Rejeição de práticas relacionadas à idolatria ou ocultismo (vv. 26-31).

• Rejeição ao tratamento cruel às minorias étnicas, mas demonstração de igualdade racial perante a lei e amor prático para com o estrangeiro, como a si mesmo (v. 33, 34).

• Honestidade comercial em todas as transações comerciais (vv. 35, 36).

 

 

            Essa exposição traz a mensagem de que o Senhor tinha a intenção veemente, pontual e cabal de que por intermédio da nação santa, a única linha ética totalmente verdadeira e correta deveria ser praticada por ela e conhecida pelas nações e também praticada por elas. A integridade que a ética divina impõe tinha atuação global, no sentido de que todas as áreas da vida e formas de relações quer seja pessoal ou em comunidade e nas suas respectivas consequências seriam regidas pela Lei de Deus.

            Yahweh agiu com muito cuidado ao dizer que Israel seria nação santa em Ex 19.6, e reafirmou e comentou como seria as diretrizes em Lv 19, esquadrinhando como seria a atuação para que não houvesse dúvida como proceder. Foi tratada a cultura tanto em Israel nas questões internas como seu modo de agir em relação ás demais nações, a conduta seria prática, realista e acessível.

            As nações, e em especial os Cananeus, deveriam entender e conviver com essa relação entre Deus e Israel, sabendo que Yahweh sempre quis guiar e cuidar do seu povo para que seu plano fosse cumprido.

 

CONTINUA...

 

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REFERÊNCIAS

 

R., Alan Cole. Êxodo: Introdução e comentário. ( Tradução Carlos Oswaldo Pinto). São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1981.

 

Rosscup, J. E..Primogênito. EmTenney, Merill C. (Editor Geral). Enciclopédia da Bíblia(Tradução Equipe de colaboradores da Cultura Cristã). São Paulo: Cultura Cristã, 2008.

 

Hamilton, Victor P.. Manual do Pentateuco. (Tradução James Monteiro dos Reis). Rio de Janeiro: Cpad, 2017.

 

Wright, Christopher J. H.. A missão do povo de Deus: uma teologia bíblica da missão da igreja. (Tradução WalériaCoicev). São Paulo: Vida Nova: nstituto Betel Brasileiro, 2012.