segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Esquema explicativo das 5 vias de Tomás de Aquino para a existência de Deus


A partir dos entes dinamicamente considerados, a existência de Deus será demonstada nas chamadas vias dinâmicas (primeira, segunda e quinta vias); e, a partir dos entes estaticamente considerados, o será nas chamadas vias entitativas (terceira e quarta vias). Em síntese: a existência de um PRIMEIRO MOTOR IMÓVEL (primeira via), de um CAUSA EFICIENTE PRIMEIRA (segunda via) e de uma INTELIGÊNCIA UNIVERSAL ORDENADORA (quinta via) aponta para os aspectos operativos e dinâmicos do Ser divino. Por sua vez, a existência do Ser NECESSÁRIO que é a causa de todos os contingentes (terceira via), e de um Ser PERFEITÍSSIMO do qual todos os entes participam em diferentes graus (quarta via), aponta para os aspectos entitativos do Esse (Ser) divino.


Fonte:


SILVEIRA, Sidney. Cosmogonia da Desordem: exegese do declínio espiritual do ocidente. Rio: Sidney Silveira, 2018 p. 185


Via Walson Sales.

Deus enquanto problema filosófico


O intelecto humano, que tende naturalmente a verdade como ao seu bem próprio, é levado, cedo ou tarde, a colocar-se o problema de Deus, a aproximar-se da demonstração de Sua existência, porque o significado e o valor de toda a verdade vêm de Deus e tem em Deus o seu último fundamento - como Verdade por essência da qual irradiam todas as outras verdades, que são verdades por participação. Assim como o olho é feito para as cores e formas, e os ouvidos para os sons, o nosso espírito é feito para Deus, pois encontra em Deus a Verdade suprema na qual repousa. Daí que a existência de Deus é o problema dos problemas; ele constitui a conclusão de toda a filosofia e de todo o conhecimento humano, seja ordinário, seja científico, porque da resolução desse problema depende da orientação definitiva que o homem dará a sua conduta e a toda a sua vida. Pois é um fato, comumente esquecido, que DEUS NÃO É OBJETO DA NOSSA EXPERIÊNCIA IMEDIATA e, por conseguinte, do nosso conhecimento intelectivo, direto ou indireto, como o são as coisas sensíveis e as suas essências. Deum Nemo vidit unquam. (Jo 1:18: "Ninguém jamais viu a Deus"). Consequentemente, o homem deve aproximar-se d'Ele mediante a reflexão (riflessione) ou, mais precisamente, com o processo discursivo da razão. 


Cornelio Fabro em Dio. Introduzione al problema teológico. Capitolo III. Le prove dell'esistenza di Dio. 1. La possibilita della dimonstrazione razionale, Edivi,  Segni: 2007, citado por Sidney Silveira


Fonte:


SILVEIRA, Sidney. Cosmogonia da Desordem: exegese do declínio espiritual do ocidente. Rio: Sidney Silveira, 2018 p. 185.


Via Walson Sales.

Trecho do livro: Um Ateu Garante: Deus Existe. De Antony Flew. p. 89



Como surgiu a vida?

Quando a mídia divulgou que minha visão do mundo mudara, citaram uma declaração minha, na qual eu dizia que a pesquisa do DNA feita por biólogos mostrava, pela quase inacreditável complexidade dos arranjos necessários para produzir a vida, que uma inteligência devia estar envolvida nisso. Eu escrevera anteriormente que se abrira espaço para um novo argumento a favor do desígnio e para a explicação de como a vida surgiu de matéria não viva, principalmente porque essa primeira matéria viva já possuía a capacidade de se reproduzir geneticamente. Sustentei que não havia nenhuma satisfatória explicação naturalística para tal fenômeno.

 Essa declaração provocou uma onda de protestos dos críticos que disseram que eu não conhecia o mais recente trabalho na área da abiogênese. Richard Dawkins declarou que eu estava apelando para um "deus das lacunas". Em minha nova introdução à edição de 2005 de God and Philosophy, escrevi: "Estou encantado pelo fato de amigos, biólogos cientistas, terem-me assegurado de que estão produzindo teorias sobre a evolução da primeira matéria viva, e que várias delas são coerentes com todas as evidências científicas confirmadas até agora". Mas a isso devo acrescentar a informação de que o trabalho mais recente que vi mostra que a atual opinião dos físicos a respeito da idade do universo deixa pouco tempo para que essas teorias de abiogênese cumpram sua tarefa.

    Algo muito mais importante a se considerar é o desafio filosófico diante dos estudos da origem da vida. Muitos desses estudos são desenvolvidos por cientistas que raramente se ocupam do lado filosófico de suas descobertas. Filósofos, ao contrário, têm se manifestado pouco sobre a origem e a natureza da vida. A pergunta filosófica que não foi respondida pelos estudos da origem da vida é: como pode um universo de matéria sem inteligência produzir seres com intuitos intrínsecos, capacidade de reprodução e "química codificada"? Aqui não estamos lidando com biologia, mas com um tipo de problema totalmente diferente.


Enviado por Sandro Nascimento