quarta-feira, 22 de julho de 2020

Afirmações Estranhas e Preconceituosas dos Novos Ateus



Por Walson Sales

“As religiões são más porque muitas coisas más tem sido feitas por religiosos.”
Verdade Histórica ou Argumento Falacioso?

Essa rede de informações negativas proporcionadas pelos Novos Ateus (perceba que existe de fato uma grande diferença entre os ateus tradicionais e os Novos Ateus como já demonstrado), surgiu no dia seguinte aos ataques terroristas do 11 de setembro de 2001. A partir daquele dia os Novos Ateus criaram sua cruzada particular contra a fé e contra todas as religiões. A tática é uma e simples: reduzir todas as religiões, incluindo a fé Cristã, ao mesmo nível dos Muçulmanos salafistas (literalistas) que empreenderam os ataques daquele fatídico dia. Contudo, não precisa ser um intelectual para perceber que há um grande engodo nesta proposta dos Novos Ateus, pois uma coisa é certa e básica: o fato de alguns religiosos terem praticado coisas más em nome da religião não significa que todas as religiões sejam más, muito menos que a fé Cristã seja semelhante ao Islã Salafista.
O pior é que essa narrativa vem ganhando adeptos e defensores em diversos grupos. Por exemplo, o professor John Lenoxx afirma que numa conferência de 2007 intitulada “Beyond Belief: Science, Religion, Reason, and Survival” ["Além da crença: ciência, religião, razão e sobrevivência"], o ganhador do prêmio Nobel de Física Steven Weinberg disse: “A religião é um insulto à dignidade humana. Com ou sem a religião, você teria pessoas boas fazendo coisas boas e pessoas más fazendo coisas más. Mas para as pessoas boas fazerem coisas más, é preciso da religião.” Essa impressão de que a religião é prejudicial parece estar se espalhando e ganhando notoriedade. De acordo com a pesquisa britânica YouGov de 2007, quase metade (42%) das 2.200 pessoas que foram entrevistadas, pensavam que a religião tinha um efeito prejudicial e apenas 17% consideraram que a influência da religião era benéfica, um número de pessoas estranhamente menor do que os 28% que afirmaram acreditar em Deus (2011, p. 55). Esses dados mostram que o Cristianismo na Europa está mesmo distorcido e está muito distante do Cristianismo bíblico. Jargões do tipo “a religião mata” e “a religião envenena tudo” são propagadas com certa frequência pelo Christopher Hitchens no livro Deus não é Grande, que é uma alusão às expressões religiosas dos Muçulmanos Allahu Akbar, que significa Deus é Grande. Richard Dawkins não fica atrás na sua cruzada pessoal contra Jeová do Antigo Testamento, a quem ele chama de sadomasoquista e megalomaníaco.[1] O que é um insulto, pois essas afirmações se baseiam exclusivamente em ignorância religiosa.
Michael Poole destaca acertadamente que associar todas as ações malignas às religiões resulta em um péssimo argumento, pois vende a ideia de que as religiões são más. Um argumento similar pode ser feito sobre os ateus, pois precisaríamos apenas mostrar os assassinatos em massa do Comunismo Russo sob Stálin ou o Comunismo do Cambodja (Khmer Vermelho) sob Pol Pot e o Nazismo sob Hitler. Mas isso não significa que o ateísmo e/ou os ateus sejam genocidas ou amorais (e não seria justo afirmar isso) (POOLE, 2009, p. 15).[2] O professor John Lenoxx também segue no mesmo argumento pela obviedade, pois os Novos Ateus minam seu próprio argumento de maneira surpreendentemente ingênua, ao agrupar todas as religiões indiscriminadamente, como se todas as religiões fossem igualmente culpadas da acusação de fomentar comportamentos perigosos. Não se poderia esperar que uma simplificação grosseira e não-acadêmica venha de autores que elogiam em voz alta sua "abordagem científica".Afinal, não é preciso estar na vanguarda da pesquisa acadêmica sobre o pensamento religioso, para ver que classificar os Amish, que são um povo que  amam a paz, com os extremistas fundamentalistas islâmicos é uma comparação dolosa, maliciosaou perigosamente ingênua. De fato, quem sabe alguma coisa sobre religiões sabe que elas diferem profundamente em seus ensinamentos e práticas. Portanto, milhões de pessoas moderadas de todas as persuasões religiosas objetam, com razão, ser classificadas pelos Novos Ateus junto com extremistas violentos, mesmo aqueles de sua própria persuasão religiosa. Afinal, o 11 de setembro é uma plataforma de lançamento bastante estranha para o ataque dos Novos Ateus ao Cristianismo. Dessa forma o professor John Lenoxx concorda com veemência com o professor Michael Poole, pois denuncia na mesma linha que surge uma profunda ironia no fracasso dos Novos Ateus em discriminar as religiões; pois eles claramente esperam que todos os outros façam distinções justas entre os diversos tipos de ateus. Eles mesmos, como pessoas que amam a paz, confessadamente, não gostariam de ser arbitrariamente classificados como extremistas violentos de sua própria persuasão de cosmovisão, como Stalin, Mao e Pol Pot. Por que, portanto, os Novos Ateus não nos alertam que o ateísmo leve e moderado pode proporcionar o clima de fé em que o ateísmo extremo floresce naturalmente, como ocorreu no século XX? Se aplicássemos a própria técnica simplificadora dos Novos Ateus, eles não demorariam a protestar. E o professor Lenoxx arremata muito persuasivamente que essa inconsistência bastante flagrante, ao esperar que os não-ateus façam distinções justas entre os diferentes tipos de ateus, enquanto os próprios Novos Ateus se recusam resolutamente a fazer o mesmo com grupos religiosos, não contribui em nada para aumentar a credibilidade intelectual da mensagem dos Novos Ateus. Muitas pessoas sérias estão, com razão, profundamente preocupadas com a merecida má reputação que algumas religiões têm por estarem envolvidas em atividades evidentemente más. Portanto, é importante abordar a questão de maneira moderada, responsável e racional (LENOXX, 2011, p. 56).
Outro exemplo pode confirmar o erro dessas generalizações grotescas feitas pelos Novos Ateus para confundir os incautos. Sabemos que os livros do Richard Dawkins e do Christopher Hitchens contém centenas de exemplos de péssimos testemunhos de crentes religiosos catalogados para tentar “provar” que a religião é má. Agora suponha que alguém faça uma catalogação de todas as péssimas histórias que envolvem a prática do sexo, ou seja, páginas e páginas de relatos de estupros, adultérios, promiscuidade, pedofilia, luxúria, bestialidade e pornografia e conclua que o sexo é algo mau pra você ou que o sexo envenena tudo. O que pensaria um casal feliz, composto por marido e mulher? Tanto a religião quanto o sexo estão envoltos em sentimentos poderosos e onde esses sentimentos são abusados, os resultados são extremamente vis. Mas o uso correto do sexo, dentro do casamento heterossexual, conforme Deus programou, é extremamente abençoador. Portanto, não estamos defendendo as coisas horríveis que religiosos praticam ou podem praticar em nome da religião, o que defendo é o uso correto e moderado do discernimento e da razão e estes são suficientes para mostrar que os Novos Ateus não estão sendo sinceros em suas guerras contra todo as as religiões (POOLE, 2009, p. 15).
Sendo assim, me parece que os Novos Ateus nos acusam de sermos cúmplices ou coniventes com os atos de violência praticados por religiosos, o que é uma verdadeira simplificação do pensamento religioso em geral e da fé Cristã em particular. O Cristianismo é pacífico em essência e os que tenham praticado violência supostamente em nome da fé Cristã, a estão deturpando e não a representando. Os Cristãos, por exemplo, tem reprovado muitas coisas que ocorreram na história do Cristianismo, como por exemplo a Inquisição aplicada pela Igreja Católica contra os Protestantes no século 16 em diante, ou os próprios atos de violência perpetrados por Protestantes contra Protestantes também no mesmo período. Sem querer acusar os Católicos dos crimes que a história lhes imputa, quero “lavar roupa suja” entre nós, os Protestantes. O falecido escritor Protestante Dave Hunt denunciava com certa frequência em seus livros, os crimes cometidos pelos Protestantes na Genebra Protestante do século 16, contra os Protestantes. Sinta o peso das denúncias que o Hunt faz sobre a prepotência do reformador genebrino João Calvino:

De 1554 até sua morte em 1564, “ninguém mais ousou opor-se ao Reformador abertamente”.Os oponentes de Calvino foram silenciados, expulsos, ou fugiram de Genebra, mas a oposição continuou de fora. Calvino não copiou a Cristo na matéria de sofrer insultos sem revidar (I Pedro 2.23), mas superou seus oponentes no uso de linguagem abusiva. Em um sermão em 16 de Outubro de 1555, ele se referiu aos seus inimigos como “toda aquela imundície e vilania…cães raivosos que vomitam as suas imundícies contra a majestade de Deus e querem perverter toda a religião. Eles devem ser poupados?”.Todos sabiam a resposta! (HUNT, 2004, p. 24, grifo meu).

As acusações são sérias e nem o mais radical Calvinista e defensor de Calvino, se alegra com essas informações legadas na história. Nenhum Protestante Evangélico endossaria esse comportamento hoje, muito menos durante a igreja primitiva. Hunt continua sua denúncia ainda em termos mais fortes ao citar dezenas de fontes históricas:

Fornicação [na Genebra de Calvino] era punida com o exílio ou afogamento; adultério, blasfêmia ou idolatria com a morte…uma criança foi decapitada por agredir seus pais. Nos anos de 1558-1559 houve 414 processos por ofensas morais; entre 1542 e 1564 houve 76 banimentos e 58 execuções; a população de Genebra era na época de 20.000 pessoas (HUNT, 2015, p. 103).

Agora compare os ensinamentos de quem é o paradigma no Cristianismo, ou seja, o próprio Jesus Cristo, com o exemplo de Calvino na Genebra do século 16 (tomando apenas como exemplo) e as comparações que os Novos Ateus jogam sobre os Cristãos com base nos exemplos dos Muçulmanos que impetraram os ataques terroristas no 11 de setembro. Veja os ensinamentos de Cristo:

Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus; Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus; Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. (Mateus 5:5-11).
Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; (Mateus 5:43,44).
Mas a vós, que isto ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam; Bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam. (Lucas 6:27,28).
Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. (Lucas 6:35,36).

Apenas para citar alguns. Dave Hunt conclui o capítulo do seu livro criticando os Protestantes que condenavam o Papa pela Inquisição e tentavam inocentar Calvino, uma verdadeira incoerência. Dave Hunt diz: não é somente Cristo o padrão de seus seguidores? E Ele não é sempre o mesmo, impossível de ser mudado pelo tempo ou pela cultura? Como os papas podem ser condenados (e certamente são) pelo mal que eles fizeram sob a bandeira da cruz, enquanto Calvino é escusado fazendo o mesmo, embora em uma escala menor? As seguintes são somente duas passagens, entre muitas que condenam Calvino:

      Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. (Tiago 3:17)
      • Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele [Cristo] andou. (1 João 2:6) (HUNT, 2015, p. 121).

Passagens assim da Bíblia não condenam apenas Calvino pelo o que aconteceu em Genebra ou o Papa pela Inquisição, condenam todos os que agem com violência em nome do Senhor. Passagens assim também condenam os Novos Ateus por se recusarem reconhecer que quem age assim não representa a Cristo, bem como muito menos os Muçulmanos violentos representam a fé Cristã.[3] Percebe a incoerência dos Novos Ateus? Para nós, os Cristãos que seguimos os passos de Jesus Cristo entendemos que qualquer ato de violência em nome da fé Cristã é, na verdade, uma afornta aos próprios ensinamentos de Jesus nos evangelhos. Ainda há uma premissa oculta no ataque dos Novos Ateus contra todas as religiões: a omissão do reconhecimento dos inúmeros benefícios que as religiões e em especial o Cristianismo tem feito ao longo da história. Alguns Novos Ateus tentam minimizar os ataques de seus pares e reconhecem as inúmeras benfeitorias realizadas em nome da fé Cristã. Contudo, atacar a religião como tal não é novidade, pois em um ensaio intitulado "A religião fez contribuições úteis para a civilização?", até mesmo o ateu tradicional Bertrand Russell escreveu: “Minha ... visão sobre religião é a de Lucrécio. Eu a considero uma doença nascida do medo e uma fonte de miséria incalculável para a raça humana.” (LENOXX, 2011, p. 57).
Como demonstrado, os Novos Ateus dizem pouco ou nada sobre a imensa contribuição positiva que o Cristianismo deu à civilização ocidental. Contudo, Jürgen Habermas, o principal filósofo alemão e um autodenominado ateu metodológico se distancia dos Novos Ateus no quesito honestidade e dispara,

O igualitarismo universalista, a partir do qual surgiram os ideais de liberdade e uma vida coletiva em solidariedade, a conduta autônoma de vida e emancipação, a moral individual da consciência, os direitos humanos e a democracia, é o legado direto da ética judaica da justiça e da ética cristã do amor. Esse legado, substancialmente inalterado, tem sido objeto de contínua apropriação crítica e reinterpretação. Até hoje, não há alternativa para isso. E, à luz dos desafios atuais de uma constelação pós-nacional, continuamos a extrair a substância desse patrimônio. Tudo o resto é apenas conversa fiada pós-moderna.[4]

O que Habermas está dizendo é que foi o Cristianismo que deu ao mundo as universidades que educaram os Novos Ateus, os hospitais e hospícios que cuidam deles e foi a fé Cristã que pavimentou as liberdades e os direitos humanos que os permite disseminar suas ideias (LENOXX, 2001, p. 70). Se os Novos Ateus reconhecessem realmente que, por exemplo, a abolição da escravidão foi obra do trabalho de William Wilberforce, um Cristão evangélico e que o aparecimento de escolas, hospitais e universidades são heranças da cosmovisão Cristã, sem mencionar os inúmeros testemunhos de religiosos que perdoaram ações horríveis contra eles e suas famílias, como atitudes diretas de obediência da essência das doutrinas Cristãs do próprio Cristo, talvez os Novos Ateus tivessem uma visão diferente sobre a religião e em especial a Fé Cristã (POOLE, 2009, p. 11).
John Lenoxx joga uma “pá de cal” na sepultura da narrativa dos Novos Ateus ao chamar a atenção para as credenciais que os ateus alegam para si mesmos como cientistas, mas que se mostram verdadeiros ignorantes dos benefícios da religião para as pessoas. Ele arremata que para alguém que afirma colocar grande importância nas evidências científicas, Dawkins mostra ignorância culpável do considerável corpo de pesquisa que mostrou a contribuição positiva do Cristianismo para o bem-estar. Por exemplo, contradizendo a afirmação de Dawkins de que a religião causa mais estresse por culpa do que alivia, Sloan Wilson cita os resultados de pesquisas recentes realizadas por ele e Mihaly Csikszentmihalyi:

Esses estudos foram realizados em uma escala tão massiva e com tanta informação de base que podemos comparar a experiência psicológica de crentes religiosos versus não crentes, momento a momento. Podemos até comparar membros de denominações protestantes conservadoras x liberais quando estão sozinhos versus na companhia de outras pessoas. Em média, os crentes religiosos são mais pró-sociais do que os não crentes; sentem-se melhor consigo mesmos; usam seu tempo de forma mais construtiva; e se engajam no planejamento a longo prazo, em vez de satisfazer seus desejos impulsivos. A cada momento, eles relatam ser mais felizes, ativos, sociáveis, envolvidos e empolgados. Algumas dessas diferenças permanecem mesmo quando crentes religiosos e não religiosos são compatíveis com seu grau de prosocialidade (2011, p. 71).

Já dá pra ficar vermelho de vergonha. Negar todas conquistas deixadas pela fé Cristã dentro de 2.000 anos de história é uma verdadeira confissão de ignorância ou preconceito por parte dos Novos Ateus.

Referências:

HUNT, Dave. Que Amor é Este? A Falsa Representação de Deus no Calvinismo. (Tradução Cloves Rocha e Walson Sales). 1ª edição. São Paulo: Editora Reflexão, 2015
HUNT, Dave; WHITE, James. Debating Calvinism: Five points, two views. Colorado Springs, CO: Multnomah Books, 2004
LENNOX, John. Gunning for God: Why the New Atheists Are Missing the Target. Oxford: Lion, 2011
POOLE, Michael. The ‘New’ Atheism: 10 Arguments That Don’t Hold Water? Oxford, England: Lion Hudson plc, 2009

Notas:
[1] Leia o livro do Paul Copan intitulado Deus é um monstro moral? Entendendo Deus no contexto do Antigo Testamento, publicado no Brasil em 2016 pela editora Sal Cultural. Se você consegue ler em inglês, leia o livroDid God Really Command Genocide?Coming to the Terms with the Justice of God, também escrito pelo Paul Copan e Matthew Flannagan. Ambos livros são uma resposta direta às aberrações de interpretações e ignorância do mundo antigo, patrocinada pelo Richard Dawkins em seu livro. Temos um projeto de traduzir trechos de livros para fomentar o interesse das editoras brasileiras para que estas obras sejam publicadas no Brasil. Se você quiser ler um capítulo de cada livro para ter uma noção do que eles abordam, seguem os links respectivamente:
[2] Por exemplo, muitas atrocidades foram consumadas pelos comunistas, cujas ideologias são ateístas em si. Os primeiros campos de concentração (que viraram campos de extermínio posteriores) de Lenin criados para aprisionar padres, soldados do exército branco e lideranças políticas de oposição são bastante conhecidos. Tudo sem julgamento. Veja o trecho abaixo:
Em 9 de agosto de 1918, Lenin telegrafou ao Comitê Executivo da província de Penza pedindo que fossem aprisionados "os kulaks, os padres, os soldados do Exército Branco e outros elementos duvidosos num campo de concentração". Alguns dias antes, Dzerjinski e Trotski haviam, do mesmo modo, prescrito o aprisionamento de reféns em "campos de concentração". Esses "campos de concentração" eram campos de internação onde deveriam ser encarcerados, através de uma simples medida administrativa e sem qualquer julgamento, os "elementos duvidosos". Existiam, tanto na Rússia quanto nos outros países beligerantes,numerosos campos onde haviam sido internados os prisioneiros de guerra. Entre os "elementos duvidosos" a serem preventivamente aprisionados, figuravam, em primeiro lugar, os responsáveis políticos, ainda em liberdade, dos partidos de oposição. Em15 de agosto de 1918, Lenin e Dzerjinski assinaram a ordem de prisão dos principais dirigentes do Partido Menchevique— Martov, Dan, Potressov e Goldman cujo jornal já havia sido silenciado e os representantes expulsos dos sovietes. FONTES: V. I. Lenin, Polnoie sobranie socinenii (Obras Completas), vol. L, p. 143; CRCEDHC, 76/3/22/3; leia O livro negro do comunismo.
[3] A fé Cristã não endossa a violência em nenhuma de suas doutrinas, contudo há uma linha de pesquisa bem estabelecida nas próprias fontes Islâmicas que o Islamismo tem uma forte relação histórica com a violência. Leia o capítulo sobre o Islã neste livro. Caso queira conhecer uma linha do tempo de um período da história do Islamismo, acesse este link: https://deusamouomundo.com/islamismo/linha-do-tempo-da-violencia-do-islamismo/
[4] Jürgen Habermas, Time of Transitions, New York, Polity Press, 2006.


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